Domingo, 13 de Maio de 2012

OS QUE COSPEM NO PRATO


Claro que são opiniões e, dizem com grande ênfase, qualquer um pode emitir a sua com todo o direito. Não me custa admitir que assim seja. Contudo, existe um ponto com o qual eu não posso concordar nem nunca seria capaz de proferir, para mais sabendo que é uma nojenta mentira. Reconhecer vitórias forjadas e extorquidas por métodos torcionários e reconhecer algum mérito em cometimentos levados a cabo com auxílio de processos criminosos. 
Estou a escrever isto porque não me posso calar, tanta a repulsa e o vitupério que me invadiram quando há pouco e num programa da nojenta TVI, pude ouvir a resposta de um considerado "senhor", tido quase como um símbolo do Benfica, quando lhe perguntaram se achava que a vitória dos criminosos do Freixo neste campeonato tinha sido justa. Sem titubear, possivelmente pretendendo não ferir susceptibilidades, deu a sentença; "…é sempre justa a vitória de quem ganha e esta não fugiu á regra"; a ideia e a mensagem foi esta. 
Que digam tais suinadas os prosélitos e admiradores das fraudes e da corrupção, muito embora seja de verberar, vá que não vá, agora, que tais desconchavos sejam proferidos, sem se descortinar sequer uma intenção válida, por gente que era suposto pertencer á nossa crença e fazer parte da nossa fé de benfiquistas, não posso aceitar e repugna-me ouvi-lo da boca seja de quem for. Sabeis de quem falo: trata-se do "senhor" dito Toni, esse mesmo. Poderão apelidar-me de mentecapto e inconveniente por tomar esta minha atitude pretendendo ver nela o ataque a uma "impoluta" figura do Benfica, estimada e considerada como tal. Para mim, nem que fosse uma divindade, nem que fosse um familiar chegado! Escutar um dos nossos a dizer uma baboseira daquelas referida a um grupo inimigo e que tanto mal procurou infligir, de modo odioso e gratuito, a alguém que nós dizemos amar, é uma blasfémia e um insulto. Venha ele de quem vier, seja ele quem seja.  Torna-se ainda mais repulsivo por partir de alguém que pretende ser da nossa casa e que come do mesmo prato e na mesma mesa. Alguém toleraria que se cuspisse nele sem uma vigorosa reacção de censura ou indignação? Pode haver quem o faça, eu não, nem nunca tolerarei uma atitude dessas e, por isso,  aqui apareço a reagir. 
A História está cheia de actos dessa natureza, condenados e desprezados mesmo por aqueles a quem, aparentemente, aproveitam. Poderia citar uns quantos, mas por demais relevantes, exemplificarei apenas os dois mais conhecidos: "… Roma não paga a traidores" e "… tu quoque, Brutus, fili mi - também tu Bruto, meu filho?", pois expressam de forma eloquente a ignomínia resultante de tais gestos.
Não podemos, mesmo sendo verdade, atraiçoar aqueles que dizemos amar!

Sábado, 3 de Março de 2012

ANTES A MORTE QUE A MÁ SORTE

Foi a derrocada final. Só quem estivesse de má-fé ou não quisesse ver é que poderia contar com outro desfecho que não fosse este  que aconteceu. Um desenlace surrealista e humilhante que nada pode desculpar nem apagar. Senhores, este jogo de ontem era para ter sido ganho de qualquer forma; a pontapé, á cabeçada, á chapada, ao soco, ao murro, á paulada, a tiro ou á bomba, mesmo que necessário fosse. Porque aqueles com quem jogamos não são adversários a quem se possa facilitar nem encarar com sobranceria e que se alicerçam num profundo ódio para nos derrotar e nós devíamos tê-los  tratado  do mesmo modo retribuindo-lhes e usando um ódio ainda mais violento para os combater. 
Isto não é glória nem grandeza; isto é miséria, é capitulação, é a aceitação da escravatura daqueles a quem não conseguimos derrotar de maneira civilizada. O Benfica é um clube falhado, perdedor nato, conformado e amorfo. Tirai-me deste filme trágico que já está gasto e delido de tanto passar. Como pode  então alguém com dignidade amar, seguir ou ser sócio de uma Instituição que só oferece em troca derrotas humilhantes? Dizem p'raí que fomos espoliados, mas que fazem então os responsáveis para denunciar tais atropelos? Alinhei nesse discurso mas reconheço que ele não tem  consistência.
Aparecem agora os derrotados a apelar á piedosa panaceia de que devemos levantar a cabeça e outras atoardas inúteis. Como pode um Clube que se proclama grandioso levantar uma cerviz profundamente vergada pela humilhação e cobardia? Um clube que em 30 anos apenas conseguiu ganhar meia dúzia de campeonatos? Que ainda temos algumas hipóteses pois esses bandalhos terão de jogar em Braga, na Madeira, etc. e tal. Mas estão a fazer  humor negro? Todos sabem muito bem que eles vão pulverizar o Braga, vão desbaratar o Marítimo e todos os que lhe surgirem pela frente. A fatalidade foi deixá-los chegar ao poleiro.
Quem participa em jogos viciados e anda nos circuitos da corrupção, embora de boa-fé e pretendendo fazê-lo de forma séria, não pode fugir á indignidade. Deveria então o Benfica sair e abandonar estas competições? Pessoalmente creio que sim. Mais valia competir com atletas da nossa formação, muito mais baratos e genuínos, em provas secundárias e menos atreitas ao vício da falcatrua. Acabe-se com este estado de coisas. Tenho até muitas dúvidas se qualquer competição na qual não participasse o Benfica teria condições para se aguentar economicamente. 
Depois do que ocorreu ontem que interessa agora tudo o mais? Pensar na Taça dos Campeões? Haja juízo: poderemos até eliminar os russos, mas não se passará disso mesmo. A Taça da Liga? Haja decoro! Sinto-me insultado só de pensar que, com um plantel destes, nos sintamos realizados e satisfeitos  com um troféu de pechisbeque, como consolação atribuída por um Deus menor.
Má sorte a nossa. Diz o povo na sua infinita sabedoria, o mesmo povo donde eu saí e com o qual sempre me identifiquei que "mais vale chorar a morte que a má sorte." Grande verdade que traduz aquela dignidade que todos deveríamos possuir.
Por isso eu, hoje mesmo, já pedi ao Benfica para anular o meu cartão de sócio. Podia ser uma contribuição muito pequena da minha parte, mas também não trazia qualquer dispêndio ao Clube. Podê-la-ão considerar uma atitude muito radical, muito irracional e destemperada, mas ela é liminarmente lógica. Atingi a saturação pelas vergonhas e humilhações a que fui sujeito em tão longos anos, um doloroso cansaço e quero esquecer todas as aleivosias e mentiras, esquecer uma Entidade que amei desde que nasci e que já não existe, quero fugir de toda a vileza para assegurar certa paz e uma tranquila sanidade mental. Futebol nunca mais, blogues desportivos nunca mais, Benfica nunca mais. Não sinto qualquer ódio ao Clube que amei durante tantos anos, isso sim, apenas me invade um ódio imenso aos autores de toda a indignidade instalada. Na verdade, um ódio imenso só é possível de queimar os corações daqueles que amaram infinitamente. O Amor é belo, é grandioso, é sublime e cheio de delícia; mas o ódio é muito mais augusto e grande, muito mais transcendente porque é infernal e mais se amolda á satânica alma dum vingador. Amor, ódio e vingança são, na sua essência, uma e a mesma coisa, somente vistos por diferentes prismas e ao passo que o Amor traz consigo o perdão das mais vis e tremendas ofensas o ódio, ponto culminante onde acaba um delirante sentimento de paixão, gera a vingança. O perdão é apanágio das almas nobres e porque o não será também a vingança? Se o perdão deixa transparecer bondade e misericórdia, a vingança denota heroísmo e Justiça.
E serei irredutível na minha decisão! Benfica, nunca mais, humilhação nunca mais! 



Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

SEM MARGEM PARA ERROS

Fui e sou daqueles que verberei contundentemente o Benfica nesta presente conjuntura porém, neste momento, mais calmo e com outra reflexão, reconheço um certo exagero e injustiça da minha parte porque agi num momento quente. Desta forma e sem pretender justificar a minha atitude vou procurar fazer uma análise fria da verdadeira realidade. 
Agora falando mais a sério. Todos os seres humanos, quer de forma pessoal quer no exercício das suas actividades, quer na gestão dos seus empreendimentos, nunca atingem a perfeição absoluta pois em muitas ocasiões, por diversas  razões e motivos vários, de que não podemos abstrair a própria condição humana, cometem erros e falhas muitas vezes das mais graves, algumas até com o cunho de irreparáveis. Como diz a sabedoria popular, ninguém é perfeito! 
Em competição. para se ter êxito no meio de todas estas naturais imperfeições, teremos de jogar com as próprias deficiências daqueles com quem competimos esforçando-nos por cometer o menor número de erros em relação ao adversário. Assim, se errarmos em certos momentos, restar-nos-á sempre uma possível margem de manobra para podermos recuperar e corrigir o falhanço, que consiste  em esperar que os outros errem de igual forma noutras ocasiões. Essa é mesmo uma das principais características do futebol; saber gerir os nossos percalços procurando ser mais regular que os outros contendores. Este devia ser o cenário normal onde todos os peões se movimentariam com honestidade, de forma séria e leal. 
Para colmatar as deficiências previstas é que se investem numerosos fundos na contratação de bons atletas, os melhores e mais capazes, é que se contratam os melhores treinadores, é que se procuram os meios necessários que irão mais tarde permitir ultrapassar possíveis e inevitáveis falhanços.
Mas então que acontece e porquê que as coisas não se passam dessa forma? Todos sabemos que, há mais de trinta anos, há no futebol português uma completa subversão destas regras fundamentais por parte de um Clube sem moral que, por fugir á Lei, tem deitado mão duma imensidão de meios fraudulentos, sobejamente conhecidos, que ou os põe a salvo de qualquer mau êxito ou, acontecendo este, lhes garante uma margem segura para reparação do erro cometido. Nem era preciso dizê-lo pois toda a gente sabe que se trata  do Clube corrupto de Contumil e da quadrilha, curiosamente ainda a mesma, que o vai conduzindo pelos retorcidos caminhos da indignidade e do crime. É só esta Agremiação a única que tem mantido tudo dominado e oprimido, da forma que mais lhe apraz e como muito bem lhe apetece. E fazem-o já tão á descarada e com um à-vontade tão gritante como se fosse um direito que lhes assiste ou como donos de um estatuto próprio. Claro que para branqueamento dessa rapina sistemática e para o escândalo não ser tão indecoroso, em cada cinco anos lá permitem que um dos outros intervenientes na contenda, de preferência os alinhados e submissos, só a contra-gosto o Benfica, ganhem um título e no fim lhes agradeçam a magnanimidade.
Pelo exposto, posso então agora afirmar que o Benfica entra todos os anos na competição sem a mais ligeira margem de erro porque, se falhar, sofrerá as consequências de forma irreversível, sem a mínima hipótese de recuperação. Porque se errar lá estará o tal Clube emboscado na trapaça para usufruir do seu falhanço. Não porque invista mais ou lhe advenha a superioridade de um mérito próprio, mas porque conseguem manter-se sempre á espreita. O que se passou em apenas estes dois recentes jogos é bem o exemplo do que explano. Os malfeitores do Freixo levavam cinco pontos de atraso do Benfica mas julgam que eles andavam perturbados com isso? Claro que não, pois já sabiam a fórmula própria para ultrapassar tal desaire. Por isso as palavras do nosso treinador quanto ao desfecho do jogo de sexta-feira só são verdadeiras em relação a uma das partes que, torna-se evidente, é o nosso Clube. 
Em jeito de conclusão e enquanto as coisas não mudarem de maneira radical para uma situação de salutar competição desportiva, com a lisura de regras iguais para todos, cumprimento da lei, sem o constante clima de guerrilha provocatória, com uma justiça digna e verdadeira, é mais que certo que o Benfica a muito custo ganhará qualquer campeonato neste País; mesmo que se esvaia em inúteis sangrias financeiras contratando atletas de eleição, mesmo que pratique um futebol de outra galáxia, mesmo que seja uma Instituição de incomensurável grandeza, como o é pela sua história, porque isso não bastará nem evitará os dias menos conseguidos.
Houve campeonatos no passado em que o Benfica, nesse tempo possuidor de grandes equipas, chegou a levar sete pontos de atraso do primeiro classificado e, mesmo assim, recuperou muitas vezes e veio a ser campeão. Porque isso, então, era possível mas agora não o é. O Benfica não pode falhar porque lhe não é permitido e tem de ser perfeito até ao fim, o que é impossível. 
Esta é a verdade!


Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

TRISTE FADÁRIO

Ora aí está; bastou um pequeno sopro de contrariedade num jogo enregelante para tudo se desmoronar como um  frágil castelo de cartas, para as ditas exibições até aí produzidas se desvalorizarem até á categoria de lixo, como agora se classifica nos mercados da economia, para a euforia desmedida e infundada vir a dar lugar á abulia e ao conformismo. Não retiro uma vírgula do que escrevi no meu tópico anterior porque só quem não anda por cá ao tempo que eu já ando é que não entende, não viu ou não quis ver a mensagem que toda a situação claramente indicava. E temo, digo mal, tenho a convicção de que se nada se alterar profundamente na sexta-feira próxima, sofreremos as iguais e mesmíssimas humilhações que ocorreram no passado campeonato. 
Não venham para aqui indignar-se comigo por eu pensar desta forma, nem armar-se em valentes, ah e tal, nada está perdido, no próximo jogo os jogadores vão dar tudo por tudo, como garantiu o José Augusto hoje na BTV e outros estereótipos usados nestas alturas, porque são conversas de derrotados, sem sentido e que nada resolvem. O que eu quero é que se consigam os objectivos que pretendemos, sem deixar correr ou esperar que os resultados caiam do céu. Porque eu não posso conceber nem aceitar que uma equipa como a do Benfica que até há quinze dias tinha mostrado uma superioridade tão vincada nas suas actuações venha, em poucos dias, a perder cinco pontos em dois jogos e, ainda por cima, contra equipas absolutamente acessíveis e até mesmo fracas, uma delas com a desmotivação de ter salários em atraso. Suponho que nem os lagartos cometeriam tal proeza. E não sinto repugnância alguma em bater nos "artistas" que ganham principescamente e não conseguem superar adversários com muitas mais limitações. Porque quem sofre sou eu e muitos como eu, pode ser um padecimento irracional mas é desgraçadamente verdadeiro. 
E, desta vez, torna-se ainda mais doloroso porque se ofereceram miseravelmente e de mão beijada todas as ambições porque lutamos a um inimigo que nada fez para atingir o êxito que perseguimos e se limitou a esperar com a certeza dum predador á espreita. E vai ser verdadeiramente um escândalo vir a constatar como o nosso Clube vai perder um campeonato para esse inimigo que, diga-se o que se disser está, presentemente, muitos furos abaixo do nosso (pelo menos aparente) valor, ainda por cima orientado por um treinador que chega a roçar a anedota.
Não entendo o que se passa na nossa Instituição, não entendo o triste fado que todos os anos, já lá vão mais de trinta, nos persegue, não entendo a capitulação repetitiva que nos amarfanha o ânimo quando percebemos o céu tão perto e quando sentimos já a glória e os aplausos da chegada á meta.
Perder cinco pontos em 2 jogos e sem marcar um golo sequer? É dum surrealismo atroz e para o qual não adianta chorar porque é leite derramado. Nem aceito palmadinhas de conforto, nem de falsos lenitivos de melhores dias porque tais expressões tresandam a hipocrisia, transmitem falsas esperanças, denotam piedosa misericórdia e fazem parte do vocabulário e do léxico dos perdedores. Se com as condições que ainda temos viermos a perder este campeonato como, sinceramente e realisticamente acredito, fico angustiosamente a perguntar; então quando ganharemos outro?
Triste fadário!

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

FALTA DE ESTOFO

"Consumatum est"! E aí está a primeira derrota do Benfica no presente campeonato; desnecessária, escusada, inglória; e onde ela se devia ter dado, vejam lá!
Saí esta semana e não levei comigo o meu PC porque, em certos hotéis, são uns exploradores pois chegam a levar 3 a 5 euros por uma hora de wi-fi. Ora, como depois do que se passou em Guimarães eu não posso ficar calado e tenho de postar, vejo-me obrigado a usar o meu iPhone para suprir aquela falta. Dá mais trabalho, leva mais tempo e é menos funcional; mas serve.
    Voltando á questão principal, convenhamos que uma equipa que seja ou tenha a pretensão de ser uma equipa de topo, que joga na Liga dos Campeões e que tem um plantel de grande qualidade pago a peso de ouro não pode, de forma alguma e num jogo de crucial importância, perder com um Guimarães qualquer, numa circunstância qualquer e seja lá em que terreno for. Tal facto e da forma como sucedeu, só denota falta de classe e falência de categoria. Dizem que se tornava necessário vencer o Xistra, também o julgo, mas para isso era preciso e acima de tudo vencer em primeiro lugar o clube local, o Vitória. 
Correu mal, era certo e sabido e eu tinha mesmo um mau palpite. Está visto que o Benfica não tem estatura de grande equipa e, sem pessimismos estéreis, creio que este campeonato, malogradamente, já foi. Claro que, em relação a todas as outras equipas, uma derrota destas não passaria de um "fait-divers" porque para todas elas chegaria o Benfica muito bem, porém, não nos podemos esquecer que existe uma delas, a dos suínos de Contumil que, por ser uma organização batoteira, se aproveita e usa a deslealdade para competir. Para esta é que nem o Benfica nem nenhum outro Clube podem chegar e, desta forma, os meliantes do Freixo escusam de se esforçar muito pois para eles tudo é caminho-chão e caem-lhe os objectivos do céu. Tornar-se-ia necessária uma distância considerável de pontos na tabela classificativa para os afastar, tantos e tão eficazes são os recursos de que podem deitar mão.
É um sacrilégio o que vou dizer, sobretudo para mim que abomino de forma radical e feroz essa Besta maligna, e em princípio nenhum poderá ser tomado como um elogio, mas eles, com o razoável plantel que têm e mesmo com o arremedo de treinador que os orienta, nunca perderiam um jogo destes. Diz a Escritura que os filhos das Trevas são mais espertos e audazes que, ad litteram, os filhos da Luz o que, nesta conjuntura, é uma pura verdade. Será por determinação, será por virtude, será por ódio ou orgulho? Sei lá, mesmo que seja por incentivo do lado negro de toda a Força que nos move. Ora o lado bom dessa Força, apesar de odiar e combater todos os representantes do Mal deve, por sua vez, aprender com o inimigo tudo aquilo que possa ser aproveitado de maneira construtiva e só por isso é que eu o citei. Reconheço, contrafeito, que essa gente usa uma  intrínseca tenacidade e não claudica nas ocasiões fundamentais. Poderá custar admiti-lo mas é um facto indesmentível.
Não pretendo e lamento mesmo estar a ser ave de mau agoiro, nem mo leveis a mal, mas parece evidente ser curial que se diga adeus a este campeonato pois estou em crer que será o corolário lógico da falta de competência demonstrada pelo nosso Clube nas horas decisivas em que se pode escrever história. Temo pelas sequelas negativas que possam advir desta derrota em Guimarães; que se baixe a guarda e se enverede pelo caminho do desalento, da fatalidade que nos conduza de vexame em vexame até á humilhação final, á semelhança do que aconteceu não vai ainda tanto tempo assim e se encontra dolorosamente fresco na memória de todos os benfiquistas a queimar como ferrrete de vergonha e nos leve a morrer fatalmente na praia. Desânimo para todos, é suposto, nunca nos responsáveis: porque nós somos filhos da Luz.

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

INCONVENIÊNCIA



Muito embora nem sempre se consiga andar na vida de forma perfeita devemos, no entanto, procurar agir nesse sentido. Ora, como eu gosto de ser coerente com tudo aquiio que digo e procuro fazer, aqui estou a tentar seguir esta linha de comportamento. Escrevi, neste espaço e há tempos atrás, o meu desagrado e mesmo indignação pela entrevista que o corrupto do Freixo foi dar (ou lhe pediram para dar) a uma televisão pública, sentimentos esses que mantenho no mesmo grau de intensidade. 
Assim sendo e muito embora não se possam comparar as atitudes e circunstâncias de um e de outro personagem, mesmo assim e por uma questão de coerência, venho dizer que não me agrada nada que o Presidente do Benfica, Sr. Luis Filipe Vieira, venha agora a tornar-se também num habitué destas andanças e  com isso se venha a concluir que possa  estar a seguir na esteira do mafioso de Contumil. 
Entendo que o Sr. Vieira devia fugir desses holofotes que o podem expor com mais visibilidade e desnecessariamente a críticas verrinosas e mal formuladas, dando aso a que as mentes distorcidas dos seus inimigos ataquem gratuitamente o nosso Clube. Se fosse na nossa Televisão, tudo bem.
Com a propensão de vitória que o Benfica está a seguir, devia deixar-se toda a escumalha ressabiada a falar sozinha e não se lhes oferecer a lenha com que nos poderão queimar. É o que penso, ainda mais quando se ouve dizer que, quase sempre, os que menos falam são os que fazem obra!
Acho mal e extemporânea esta entrevista, mesmo que ela venha a ser um sucesso!

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

ADVOGADO DO DIABO

Sabem o que é um advogado do diabo? Quando é iniciado pela santa Sé o processo de canonização de um santo e como em qualquer processo judicial ou similar dele fazem sempre parte, no mínimo, dois  advogados, um para cada litigante. Neste caso do processo canónico que, grosso modo, opõe em juízo Deus e o diabo, os cardeais advogados apostam, como é bom de concluir, em estar ao serviço de cada um dos lados. E se o de Deus se preocupa em descobrir, através das acções da vida do proposto santo, as grandes virtudes e as mais numerosas boas obras, já o do diabo corre em sentido oposto tentando pôr a descoberto os vícios e defeitos do futuro beatificado. 
No Benfica existem não um, mas centenas, mesmo milhares de advogados que nele só vêm virtudes e glórias: os seus simpatizantes e sócios. E estes tudo levam em conta de esplendor e magnificência, tudo assumem como coisas maravilhosas, consideram o Clube como invencível, tecem elogios, desbocam bravatas, caminham só em função de refulgente luz como se não houvesse sombras ou pontos escuros. Destes advogados está, pois, o Benfica bem servido. 
E, aqui chegado, estou então a pedir-vos compreensão para o facto de eu vestir a toga e me assumir como advogado do diabo naquilo que concerne ao actual momento do Benfica: as suas virtudes e trunfos, a sua organização, o seu plantel, a sua equipa de futebol, o seu bom fio de jogo. Tudo isso representa, no presente, motivo e força da grandeza do nosso Clube. É certo; porém, e já na interpretação desse odioso papel, atrevo-me a dizer-vos que tudo isso não basta, porque também existem os seus pontos fracos que muito poucos abordam; certa sobranceria, adormecimentos imprevistos, dias pouco conseguidos, como é normal em tudo que acontece na vida. E destes defeitos ou fraquezas é que os nossos inimigos deitam mão e se aproveitam para nos derrubar. Vem aí o Feirense e depois outros se seguirão e todos eles se irão comportar contra nós como se fossem equipas determinadas e poderosas, mesmo que não passem de equipas banais  orientadas por treinadores de vão de escada que nesse interim apresentam tácticas e argumentos que resultam sempre e que mal poderemos ultrapassar. É expectável que assim seja só que, contra os meliantes do Freixo, abrem alas e estendem passadeiras de submissão e vassalagem. Esta situação torna-se num evidente defeito da nossa parte. Outra faceta que muito me desagrada e me deixa exasperado é ouvir e ler certos ditos e frases, tais como; "…ninguém nos para, vamos rumo ao 33º., lá estaremos no Marquês…" e outras que tais. Considero essas expressões perniciosas e sem dúvida também uma grande imperfeição das nossas hostes. Como se tal, bastasse para nos colocar na sagração do Olimpo! Mas cuidado! Mesmo com toda a pujança dos nossos recursos e superiores capacidades, estaremos sempre vulneráveis aos ataques e tramóias, a toda a malvadez e ódio daqueles que são os verdadeiros sequazes e representantes de Satanás no desporto português, pontificados maquiavelicamente por um ranhoso e fanático "papa" do Orco, acolitado pelos seus cães cerberos e por legiões de autênticos espíritos malignos: estruturas oficiais, imprensa, arbitragens, capatazes infiltrados em todos os cantos onde o desporto se regula e que lhes garantem a certeza de gratuita e segura invencibilidade. Contra tais condicionalismos o Benfica, de facto, nada pode, tornando-se sobremaneira exposto ao mais ínfimo ataque. Desta forma e ainda na função de advogado do diabo, em jeito de parar a fervura de perniciosos entusiasmos, quero repetir: amigos, esquecei a alegria do triunfo na chegada á meta, esquecei o 33º., esquecei a glória no Marquês e entregai-vos ao conformismo da desilusão porque nada disso vai, desgraçadamente, acontecer ao Benfica. 
   Claro que expressei unicamente alegações que são minhas e me pareceram oportunas nesta conjuntura mas, tal como no processo eclesiástico de canonização, o advogado que representa e age por conta do chifrudo apenas o faz por profissionalismo e o que ele, bem no seu íntimo, deseja é que o santo seja posto nos altares; porque é um servo de Deus e só quer a sua glória. Assim também eu; se   exprimi o que me ia na alma e se estou aqui a fazer o papel dos nossos inimigos é só para um alerta e uma chamada de atenção para as inúmeras minas e armadilhas que se escondem em todos os meandros deste campeonato, contudo, porque sou sócio do Benfica e sou seguidor da sua fé, desejo ardentemente o que todos desejam e espero, como não pode deixar de ser, que a glorificação final do nosso Clube se venha a concretizar.

Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

POUCA VERGONHA!


Pois meus amigos, aqui estou eu a entrar em mais um ano que, segundo dizem e não tenho razões para duvidar, vai ser mesmo um ano temeroso, por todos os motivos menos um. E este menos um será, como espero e se antevê, o de o nosso Benfica vir a ser campeão. Permiti, no entanto, que formule certas dúvidas em tal desiderato pois, pelo que vejo e que hoje me traz aqui, não vai ser nada fácil. E é o caso que, pelos vistos e segundo está anunciado, o Costa flatulento e corrupto, cidadão asqueroso e mentor de um negro rosário de tropelias, vai ser hoje entrevistado uma vez mais pela indecorosa estação da SIC. É de bradar aos céus! É uma vergonha que um biltre desse jaez seja bajulado tão despudoradamente por Organizações que deveriam primar por valores da decência e da ética. Parece que para tal gente os merecedores de todo o respeito e deferência são precisamente os criminosos e todos aqueles que praticam os mais soezes  comportamentos. É evidente que, por uma questão de sanidade mental, eu não irei sequer dar a minha atenção a tal facto - mal seria - pois antevejo o chorrilho de patacoadas e desatinos que irão sair daquela boca fétida e de tão retorcida mente, como se fosse da torneira de um esgoto. Não sei - nem me interessa - quem vai fazer o serviço de dar corda a esse truão, mas será curial reparar na forma deprimente e abjecta como tal encarregado serviçal se irá curvar perante tão sórdida criatura. Quem vir, me dirá; será, com certeza, vomitivo. 
Estamos, na verdade, num mundo sem vergonha e sem princípios, semelhante a movediço lodeiro, o que me deixa perplexo, revoltado e cheio de nojo. Ainda por cima sendo na SIC, organismo altamente imbuído dum ódio vesgo e desarrazoado ao Benfica, canal onde proliferam energúmenos fanáticos como os que ontem comentaram as incidências do jogo em Guimarães. Trata-se da mais provocatória pouca vergonha. O que fará correr esta gentalha?
Quando apenas os criminosos e os patifes de baixa formação moral são a massa procurada e desejada para encher certas audiências, por maioria de razão deveria ser meu direito exigir que também me convidassem a expor os meus conceitos, com a mesma frequência, pois poderia garantir muito mais  interesse e maior elevação. 
Entretanto e nada podendo fazer para remediar tais infâmias, apenas me resta manifestar profunda indignação e acerbo desprezo por tais atropelos e abjurar estas acções deletérias, considerando-as como um insulto e uma ofensa a todas as pessoas com boa formação de carácter.
Que lhes aproveite o vomitório!

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

LEGENDAS DE GLÓRIA

Estive ontem a ver na BTV o programa "Vitórias e Património" sobre o nascimento do Benfica e no capítulo da legenda do seu emblema, "e pluribus unum", verifico que o seu significado não é aquele que já se encontra aceite e entendido de uma forma consensual e definitiva como querendo dizer "um por todos e todos por um": nada disso, não tem nada a ver. Sempre reparei nesse erro e, perdoem-me os meus amigos benfiquistas, mas entendo que será este o momento de manifestar o meu desacordo e a minha opinião sobre o assunto. Este é também o lema nacional dos Estados Unidos e traduzido á letra quer dizer: com muitos se faz um só! Subentende uma ideia de união e não de entre-ajuda, se bem que em casos desta natureza existe sempre uma ajuda comum no sentido do engrandecimento da Entidade que resultou dessa União. Não pretendo dar lições a ninguém nem construir qualquer tese mas, quem souber latim ou tiver um curso do mesmo, logo dá pelo erro e pela divergência, porque se trata apenas de uma tradução mal feita da referida locução. 
O Latim é uma língua considerada morta por já não ter expressão falada em nenhum povo do mundo e deu origem ás chamadas línguas latinas, como o nosso português, o castelhano, o francês, o italiano e mais algumas; língua muito bela, faz parte dessa beleza a particularidade da "construção" das suas frases, onde muitas vezes o sujeito aparece no fim do parágrafo, outras no meio, o predicado em algum lugar desfasado, os complementos muito baralhados ao longo do texto e que o parecem tornar ininteligível. Ora, uma das acções mais primordiais - e bem difíceis - para se fazer uma boa tradução de textos latinos consiste em organizar a chamada "construção" de forma a colocar as palavras na devida ordem da sintaxe gramatical tornando-as, por assim dizer, muito mais a jeito de facilitar a tarefa. 
E assim, vejamos: examinemos então, uma por uma, estas três palavras da legenda inscrita no nosso emblema: o e, (que se lê mesmo ê e não i, como em português) é a apócope de ex, uma preposição que indica proveniência, a partir de, e pede o caso ablativo, daí o pluribus, ablativo plural do adjectivo plus cujo significado se entende por muitos, muita gente, multidão. Unum pois, é o género neutro de unus, nome latino da unidade e, como todos sabem, também significativo de único. Tudo isto indica que a Instituição Benfica é constituída por uma multidão de gente, o povo, e que todos unidos devem agir e trabalhar no sentido de a tornar grandiosa e única, como tem vindo a acontecer. Portanto e posta a locução na sua ordem traduzível, teríamos - Unum e pluribus, desta forma muito mais simples de entender; como fica claro, um só, proveniente de muitos; um único, saído duma multidão.
Como se pode verificar, isto não tem nada a ver com o conceito, a meu ver errado, (quanto á filologia, entenda-se) com a também célebre e gloriosa legenda dos mosqueteiros; um por todos e todos por um, a qual se poderia retroverter, mais ou menos, da seguinte forma;- pro omnibus unum, omnes pro uno.
Mas perdoem-me os meus amigos benfiquistas esta minha interpretação, assente na verdade, não fiquem preocupados e descansem que a tradução correcta da nossa divisa em nada deslustra ou apouca o nosso grandioso Benfica, nem vai alterar nada na sua gloriosa história. Qualquer dos conceitos seguidos é lindo, denota magnificência e glória, se pode aplicar e fica bem na génese do nosso Clube. 
Fazendo um grosseiro paralelismo com o conhecido filme "Duelo Imortal" fica intrínseca a noção dessa legenda; a de que só pode existir um único imortal, asserção que se justapõe ao nosso Benfica com absoluta propriedade. Porque só o Benfica pode ser - e é - o Maior, o mais Belo, o único Imortal. 

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

BALADA DO MEU NATAL




Já por mim foram passando muitos Natais, em épocas mais felizes uns, outros nas mais atribuladas, mas todos eles com o seu espírito de amor e paz, rudes, genuínos e humildes. Poderia estar para aqui a recordar muitos deles mas hoje só vou lembrar o Natal de quando eu era pequenino, da minha infância, da minha mocidade, de quando ia descalço para a escola, em dias de geada e frio, porque achávamos giro tirar os tamancos com solas de pau de amieiro cardadas com tacholas. Foram Natais emblemáticos pela magia que irradiavam, Natais onde faltava tudo num tempo de guerra mundial e de extrema penúria em todos os povos. Ninguém tinha nada e todos tinham tudo porque se repartia por todos os vizinhos, com alegria e bondade, o pouco que havia.
No canto da  sala da casa de meus pais era armado um singelo presépio, uma cabana tosca feita de gravatos e palha metida no meio de pedras cobertas de musgo e onde estava deitado um Menino Jesus de barro, sorridente e de braços abertos, rodeado por S.José e pela Virgem Nossa Senhora, sua mãe, também do tradicional jumento e da mansa vaquinha. Nessa noite santa, vinham outros irmãos que estavam longe, vinham tios e primos, vinham outras crianças e amigos e á hora da ceia nunca faltou o peculiar bacalhau com batatas e couves galegas, o polvo colorido e fumegante, tudo regado com generoso vinho carrascão do meu adorado Minho. No fim eram servidos os doces: rabanadas tostadas polvilhadas com canela e açúcar amarelo, as borrachonas ásperas e de forte sabor, os bolinhos de jerimu e as filhoses de massa doce de farinha, fritas em azeite puro do lavrador. No fim de tudo e até altas horas da noite era-nos permitido jogar ao rapa com pinhões descascados de pinhas mansas abertas numa fogueira que nos deixava as mãos e as caras ensarranhadas.
Nesse tempo não havia brinquedos nem prendas: os que existiam eram feitos por nós á navalha com pedaços de tabuínhas de madeira, diversos paus e arames. E que lindos que ficavam! Eram carrinhos singelos, barcos e aviões, bicicletas e carros de bois, até um comboio com muitas carruagens. Na manhã de Natal fazíamos uma bola de trapos com meias velhas e logo de seguida espantávamos o frio num jogo renhido entre toda a rapaziada. 
A vida era difícil, com muitas carências, em certos casos com alguma fome. Havia o Salazar e o Carmona, mas tudo era pobre, possivelmente alguns remediados. Nessa altura começava a aparecer a luz eléctrica em certos lugares. Lembro-me de a minha aldeia ter sido uma das primeiras onde ela foi ligada e o meu pai comprou então um rádio muito pequeno, com uma potência mais fraca que a de um telemóvel de hoje e que nós colocávamos numa janela quando aos domingos  dava os relatos de futebol e púnhamos no máximo para que os golos do Benfica se pudessem ouvir no outro lado da Galiza que só tinha o rio Minho de permeio. Grande ilusão das nossas mentes infantis que julgavam ser o mundo um pequeno quintal pois, na verdade, esses gritos de triunfo mal se conseguiam ouvir na própria sala onde nos encontrávamos.
Porque se tornaram então tão inesquecíveis esses Natais da minha juventude? Porque irradiava deles uma essência de paz e fraternidade, uma força divina capaz de parar uma batalha tão mortífera e feroz como a de Estalinegrado, na frente russa, numa trégua tão ingente e avassaladora que invadia as mentes retorcidas pelo ódio. Fui desse tempo e embora lá não tenha estado sei do acontecimento porque dele reza a História. Mesmo nessa noite infernal da refrega a força do Natal fez deter por horas a horrorosa chacina, chamando ao respeito e á piedade a razão humana, podendo então ouvir-se o som dum piano tocando a irreal melodia do "Stille Nacht" que irrompia solitária do fundo dos escombros e da morte. 
Mais tarde, enquanto fui crescendo, outros sóis e outras luas de Natal aconteceram, de uma forma geral deixando sempre a sua intrínseca magia, os eflúvios da sua força infinita e divina que deixavam sempre a caridade e a paz. E durante toda a minha existência, ingénuo de mim, nunca concebi nem imaginei que algum dia pudesse acontecer um Natal como o deste fatídico ano de 2011. Um Natal atrabiliário e de ignominia, abominável, esvoaçado por avejões tenebrosos que zunem á nossa volta em cimérios pesadelos de trevas e fatalidade, onde sobressaem demónios como o asqueroso meliante do Freixo e sua quadrilha, um Natal povoado de cínicos e rapaces ladrões que numa desvergonha sem nome escolheram precisamente esta santa Quadra para roubar, de forma agressiva, os parcos recursos que milhões de pobres e miseráveis tinham angariado durante anos a fio com árduo trabalho e o esforçado suor do seu rosto, extorquidos em nome dum suposto e maldito privilégio.
Por isso aqui estou nesta santa hora a desejar sinceramente a todos os que, porventura, me possam vir a ler, mormente a todos os benfiquistas, um Natal, se não melhor, ao menos como aqueles que citei do meu passado, todos eles imbuídos de verdade, de apreço, de autenticidade. Felizmente que ainda me restam na memória esses Natais passados para os poder sentir e oferecer, pois Natais como o presente não os posso nem quero desejar a ninguém. Seria um desaforo e um insulto porque esse não é o meu Natal!


Domingo, 11 de Dezembro de 2011

TEMPOS DIFÍCEIS

Hoje de manhã ao levantar-me verifiquei, com mágoa, que os corruptos e os sardões verdes lá se conseguiram desfazer, melhor ou pior, dos seus adversários e, por tal motivo, colocaram o Benfica na incómoda obrigação de ter que vencer hoje na Madeira. 
Tudo isto vem de encontro ao meu pensamento; os batoteiros de Contumil nunca terão problemas porque, cá dentro, já se sabe a razão, não têm rival e, durante todo o campeonato, este e todos os outros,  tem sido sempre assim; limitam-se a fazer um treino em todos os jogos e depois apenas se esforçam um pouco mais contra nós; os terroristas pirómanos esses, coitados, apesar de estarem a fazer das tripas coração demonstrando uma pujança em que eu não acredito, também vão seguindo, pensam eles, a caminho do Olimpo. Desses, apesar disso tudo, não sinto nem tenho qualquer medo pois, me parece, vão parar perto.
A ilação que se pode extrair deste imutável panorama é a de que ao nosso Clube não basta ter uma grande equipa, que tal não adianta porque  mesmo as grandes equipas podem ter dias maus em virtude de serem constituídas por seres humanos, ficando sempre e dessa forma em desvantagem com outras que, pelo menos, parecem ser provenientes de outros mundos. Estas nunca são afectadas por crises, contratempos ou atribulações de qualquer espécie. É irrefutável e óbvio e, como disse, de nada adianta especular, congeminar estratégias ou alimentar expectativas, apenas inevitável conformismo.
Estou de acordo com todos aqueles que lamentam o que ocorreu ontem nas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol porque tudo se passa como o virar dum disco que tem a mesma música gravada do outro lado; saiu um patife corrupto e entrou outro desavergonhado bem pior, lente que foi duma escola da mais refinada trafulhice. E tudo continuará na mesma triste situação, parece que ad æternum!
Queria muito manter-me calmo e seguro, alicerçado na força da qualidade da nossa equipa, porém, tendo em conta que as coisas não se desenrolam dessa forma, muito temo que, mais logo, o Benfica se veja relegado para posições que se não desejam mas que, dadas as circunstâncias, são de admitir como muito prováveis. Ele não virá um dia em que tudo volte ao normal? Creio que para mim já não!

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

SEMENTES DE VIOLÊNCIA

Que hei-de eu dizer? Por fim lá nos derrotaram ontem na Madeira e, (sabem uma coisa?) foi a derrota que menos me incomodou até hoje. Bah! Taça de Portugal? Bem vistas as coisas, taças há muitas e eu considero a de Portugal o troféu de consolação dos derrotados. Além disso, vejo outros factores que me induzem a ter esta opinião que procura atenuar a derrota; marcamos de penalti, dizem alguns que forçado (eu não vi) e não gostaria de ter ganho com um golo obtido dessa forma; por outro lado, também é bonito a Taça de Portugal ser ganha por clubes menores; não dizem que ela é a festa do futebol? Por isso, não vejo drama nenhum em o Benfica ter perdido ontem; pior seria (e será) se perder já daqui a poucos dias quando lá tornar para o jogo do campeonato, mas quer-me parecer que esse não vai ser assim desperdiçado.
Feliz ou infelizmente, depende dos pontos de vista, eu já ando cá por baixo há muito tempo e sei como as coisas ás vezes funcionam sendo convicção minha que o Benfica, não digo que tivesse forçado a derrota, mas a tenha aceitado com certo alívio. Dir-me-ão que ninguém gosta de perder e é certo, mas da maneira como o futebol é encarado nestes tempos, nada se pode excluir como possível. Já li por aí que no ano passado, quando se disputavam as meias finais da Liga Europa, a UEFA parece ter sugerido que não veria com bons olhos, por não convir, uma final entre o nosso Clube e o dos corruptos do Freixo. Poderá ser uma iníqua fantasia mas a mim não me custa nada a acreditar nela. 
Se tivéssemos trazido ontem a vitória dos Barreiros quem é que iríamos defrontar na próxima eliminatória? Precisamente o clube dos sardões verdes e lá na latrina deles. Tenho para mim que, dada a sementeira de ódios e violência que esses répteis têm espalhado recentemente em nossa direcção, poderiam advir para as nossas cores resultados imponderáveis, humilhações várias e sei lá que ciladas mais. E, não tenham dúvidas, em virtude da aversão e rancor com que somos tratados, tudo isso seria depois virado contra nós e desvalorizado por toda a canalha que pulula pelos meandros do desporto. Pelo que tenho percebido o lagartêdo andaria atarefado em preparar-nos uma exemplar recepção, ao estilo terrorista que eles muito bem sabem executar. 
Ora, se coisas assim se passassem comigo, preferiria afastar-me mesmo com algum custo e orgulho ferido, ignorando tal ralé e deixando-os a falar sozinhos. Poderia trazer bem piores resultados qualquer confronto com essa gente que, todos sabem, só a nós próprios penalizaria de forma perigosa. Uma retirada estratégica faz muitas vezes parte de uma batalha vitoriosa. Se o principal do que nos interessa não for descurado, nada de mal nos poderá atingir. Competições como a Taça de Portugal e da Liga só atrapalham e causam prejuízos a um Clube com a dimensão do Benfica; não passam de jogos a feijões, sobretudo acontecendo neste País.

Domingo, 27 de Novembro de 2011

OS INCENDIÁRIOS


Os terroristas deitam mão de todos os meios para infundir o terror sendo o fogo um dos principais. Pobre clube que com os seus dirigentes á cabeça da manada, de certa importância e dignidade que outrora sustentou, se transformou no presente num bando de terroristas incendiários e numa chusma de gente frustrada e sem lei. Coitados deles que, antevendo não puderem ganhar lealmente dentro das quatro linhas, enveredaram pelo caminho da chicanice e da truculência, tentando imitar e seguir os métodos dos seus patrões e mentores da Organização criminosa do Freixo. Só que, mesmo para se ser criminoso e vigarista é necessário ter-se aptidão e jeito, predicados que a escumalha verde, nem de perto nem de longe, demonstra ainda.
Os terroristas verdes extravasaram as suas frustrações incendiando as cadeiras do nosso estádio e, como neste País miserável a justiça não funciona, de lá saíram, cantando e rindo, com tão "vangloriosa façanha." Não tenho dúvidas de que, nessa noite, dormiram com a beatitude dos anjos! 
Como o Benfica gera em todos os fariseus deste miserável País, "gente fina", condes e viscondes sem vintém, intelectualóides manhosos, políticos duvidosos, até membros do clero, forças da (des)ordem e todo o séquito obtuso da turbamulta desmiolada e ululante (ena, tanta gente!) um ódio virulento, irracional e vesgo, nada acontecerá porque, bem no âmago das suas retorcidas mentes, toda essa ralé exulta com as sevícias e prejuízos que se possam infligir ao nosso Clube. Para toda essa multidão de "zombies" somos um pesadelo, uma maldição, uma emanação do Mal. Se fosse ao contrário, não me restam dúvidas de que se moveria todo este mundo e o outro para nos verberar e aniquilar. Fico com a curiosidade em saber o que vai acontecer aos sardões verdes pelas "belas e edificantes" acções que cometeram. Não me admiro nada de que possam até  receber um louvor e o Benfica ser eleito o culpado de todos os distúrbios.
Gostei, no entanto, da resposta merecida e justa que lhes foi dada dentro das quatro linhas, apesar de ter sido difícil, pois se apresentou inquinada pelo vício de premeditada extorsão. 
Definitivamente, deixei de ter pelo lagartêdo algum laivo de respeito que ainda me movia a decência porque, a partir de hoje, passarei a considerá-los como aquilo que na realidade são: um clube prostituído, sem honra nem dignidade que, para emular o dono, se transformou em terrorista e incendiário. Enlouqueceram!
Diz-se no catecismo que se não deve invocar o santo nome de Deus em vão, nem mesmo Deus deve ser para aqui chamado, por isso não o vou fazer: mas esconjuro outros Poderes sem tanta carga de sagrado, como seja o comum Destino. E, desta forma, vou compor a máxima latina que se costuma citar em casos semelhantes, substituindo o nome da Divindade: "… Fatum dementat quos perdere vult!" O destino enlouquece aqueles que quer destruir. Não ficará o meu desejo completo se não disser; amén!
Doravante, ficarei sempre a aguardar toda a desgraça que possa afligir a lagartada, regozijando-me até com uma sua eventual destruição, porque tal sentimento se tornou legítimo pelo comportamento irracional e odiento que tentam espalhar, consciente e deliberadamente, pelo mundo do desporto.
Depois do que clamaram contra a famigerada "jaula" por eles inventada, acabaram por a justificar plenamente; por isso perguntarei; onde deveria estar uma jolda destas? Numa jaula, pois claro! 

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

O ATENTADO

Há bocado, enquanto ouvia o telejornal da RTP, fiquei esgazeado de espanto quando, a dado momento, ouvi o respectivo locutor dar a notícia de que na Ucrânia estava eminente um atentado terrorista contra a equipa da Organização do Freixo. Mas esta gente da Televisão Portuguesa quer tratar as pessoas como um bando de imbecis e mentecaptos?
Um atentado terrorista contra os suínos de Contumil? Como é possível? Ele haverá alguém com a cabeça no lugar que possa conceber, ou mesmo acreditar, que quem quer que seja, muito menos um grupo terrorista, se disponha a gastar com tão insignificantes trauliteiros, não uma bala sequer, mas mesmo uma simples bombinha de carnaval? Que personagens tão importantes, que paladinos da fraternidade, que arautos da concórdia, que cavaleiros da paz são estes andrades que podem instigar forças maléficas a preparar-lhes um atentado?
Que os tratantes de Contumil possam ser merecedores de uma valente coçadura e de que lhes cheguem a roupa ao pêlo, sobretudo ao seu abjecto caudilho, como reacção ao malefício das suas vigarices, disso ninguém tem dúvidas: agora, daí a preparar-lhes um atentado, convenhamos que é um manifesto exagero.
Uma notícia deste calibre só poderia ser admitida no carnaval ou num dia primeiro de Abril dado o conteúdo jocoso e estapafúrdio que dela se infere, porém, as sevandijas e aduladores da "dita" Comunicação Social não dão ponto sem nó e pretenderão, certamente, atingir uma qualquer retorcida finalidade. Deito-me a adivinhar: será, porventura, a de preparar mais tarde a justificação de um possível desaire da Quadrilha corrupta? 
A que nível tão rastejante e inverosímil descem estes Organismos públicos que, por princípio, deveriam pautar as suas actuações pelo equilíbrio e bom senso! De que métodos sujos e repugnantes esta caterva deita mão, sem cuidar sequer da sua honradez e decência! A que desfaçatez tudo isto chegou!

Domingo, 20 de Novembro de 2011

A CRISE



Estava eu entretido e alheado de toda a ideia da bola quando, a dado momento, recebi no meu telemóvel a mensagem de um amigo a indicar-me que a porcalhada estava a perder por 3-0 com a Académica. Respondi-lhe que nunca fiando pois, mesmo quando as coisas parecem correr mal, essa gente dá sempre a volta por cima; já não, retorquiu, que faltam apenas dois minutos para o jogo acabar. Perante isso fiquei descansado porque a derrota desses bastardos era mais que certa; como foi. Cheio de satisfação fui logo ver o que se estava a dizer nas televisões e numa delas lá estava um certo Rita a chorar baba e ranho por tal cenário ter acontecido: "… que não era normal um clube daqueles perder assim, que era apenas um percalço, que o seu "Papa" infalível saberia em breve reverter a situação, etecetara e tal." Eu próprio fui forçado a analisar o que, na verdade, se estaria a passar com tão indesejada corja, reparando que anda por aí muita gente a proclamar uma grande crise nesse odioso reino, o que acho ser uma funesta ilusão. 
Crise, qual crise? Crise real é a que os ladrões e salteadores da política deste País estão a impor ao desgraçado povo que trabalha e sua. Crise são as nuvens encasteladas que já cobrem de negrume e incerteza o céu da nossa esforçada caminhada, augurando sangue e fome. Mas crise na estrutura do Grémio que chafurda, há que anos, na pocilga da corrupção e exala o fedor da sargeta da vigarice e da trapaça, não o creio. Aí, certamente, não pode haver nem é consentida qualquer crise. Mesmo que não tenham dinheiro procedem como se o tivessem, mesmo perdendo um ou outro jogo, nem sequer  tremem ou acusam mossa e, logo de seguida, surgem mais vigorosos que nunca.
Podem despedir o "pobre" pateta do que dizem seu treinador, - o mais certo e sabido - que noutra equipa seria um acto desastroso, mas nessa quadrilha quase sempre se torna num gesto profícuo e normal. 
Por isso eu não acredito em crise na terra dessa canalha, não embarco em conjecturas improváveis nem me deixo tomar por regozijos infundados. Eles não dão ponto sem nó; podem parecer desnorteados, podem fazer entender que estão de rastos, podem mostrar alguma debilidade que, sem se conseguir explicar bem porquê, dum momento para o outro retomam o trilho do retorcido caminho que percorrem há mais de três décadas. 
É claro e não o nego que só de os ver morder o pó da derrota, embora de forma esporádica, me encho de satisfação; não por vilania minha mas sim porque esses biltres são fautores da mais vil e descarada iniquidade. Por isso, não tenho ilusões nem acredito que os seguidores do diabo possam experimentar qualquer crise. Senão esperem e depois me dirão! 

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

AVES DE MAU AGOIRO



Acabando de passar hoje pela gloriosaesfera, como sempre faço, meu Deus do céu: tanto treinador de bancada que por ela esvoaça, alguns que como negros urubus fazem mais mal ao Benfica do que os normais abutres externos, sôfregos de carniça putrefacta. Que querem estes "benfiquistas" de meia tigela, esta inqualificável gente? 
Sejamos honestos de consciência e de mente; o Benfica jogou mal? Claro que sim, mas como seria possível a alguma equipa normal, por muito boa que fosse jogar bem - ou apenas jogar - num ambiente como o verificado ontem na Pedreira de Braga, com apitadores dos mais torcionários e tendenciosos, com premeditação nitidamente hostil, por isso desaconselhados para a função que deviam exercer, que tudo permitiram ao nosso adversário, direi inimigo, preparado para agressões violentas e desmedida animosidade que nada tem a ver com a nobreza dum genuíno confronto desportivo? 
O que se passou ontem no estádio AXA nada teve a ver com futebol, com competição leal, com respeito pelo outro oponente, muito menos com a virtude que o verdadeiro desporto deve consubstanciar. Foi um jogo sujo, cheio de truques saloios, de baixeza de carácter, de situações indignas que pretendiam intimidar um honrado adversário, foi a execução de um indecoroso cenário de terror nada condizente com o espírito de um acto desportivo. Como poderia o Benfica alhear-se de tudo isso e manter o estoicismo em tal situação como se não  fosse Ele o visado? Por que razão o nosso Clube não consegue sequer perder em paz, com lisura e naturalidade? Porque quando o Benfica joga, não só nas derrotas como também nas vitórias, ocorre sempre um sem número de peripécias bizarras, de acções estranhas, de acasos confusos, de suspeições ignóbeis. Que pretendem pois tão zelosos e exasperados "benfiquistas" que só apontam deficiências internas sem cuidar de ver e desviando os olhos das causas que são alheias ao Clube, geradas impudicamente  para o destroçar, e o atacam pondo tudo em causa? Que vão por aí, mas não vão bem. 
O perder e o ganhar fazem parte de toda a competição que se for limpa confere quase a mesma valorização a esses dois parâmetros porque eles são a face e o reverso da mesma medalha de glória; basta que haja limpeza e honra o que, no caso de ontem, de maneira alguma sucedeu. O grande Benfica doutros tempos, mesmo em algumas contundentes derrotas que averbou ao longo da sua mirífica História, nunca delas saiu humilhado ou diminuído porque as mesmas resultaram de confrontos havidos com adversários pundonorosos e valentes.
Quando o Benfica dos verdadeiros benfiquistas perder bem e sem reparos não haverá lugar para censuras, nem desgostos, nem recriminações, nem ranger de dentes, pois será sinal de que perdendo bem uma vez, também ganhará bem noutras vezes e, aí sim, poderemos então criticar as nossas próprias culpas nas derrotas e, por sua vez, vibrar com o fulgor de genuína alegria nas apetecidas vitórias.

Domingo, 6 de Novembro de 2011

TUDO PERFEITAMENTE NORMAL

Moro aqui pertinho de Braga onde, noutros tempos em que havia vergonha, era jogo a que não faltava. Mas não fui lá nem já vou há muito: prefiro saber o resultado no fim e pronto. E não vou lá há muito nem agora porque seria como se fosse ver sempre o mesmo filme; com o mesmo guião, os mesmos efeitos especiais, apenas com diferentes actores;  e só esse motivo não me entusiasma. Também porque era por demais evidente, após o empate dos andrades do Freixo em Olhão - o penalti da praxe não podia faltar - tinha a convicção quase certa de que as forças mafiosas nunca iriam permitir que o Benfica os ultrapasse na frente da tabela classificativa.
E, a propósito, atrevo-me a exarar uma afirmação que, suponho, será fácil de ser constatada por quem quiser; que o campeão, como é normal, já se sabe quem vai ser, estando o segundo lugar também já destinado para os sardões verdes. Não aposto nada porque tal é irrelevante, mas há uma forte probabilidade de que não andarei muito longe da certeza. Atente-se bem nos factos; os trapaceiros de Contumil que parecem andar pelas ruas da amargura, mesmo assim ainda não perderam e muito embora nesta altura não tenham conseguido a grande vantagem de anos anteriores lá vão, contudo e como sempre, no topo da pontuação: com a maior das normalidades. É bem claro que se o plantel que eles têm fosse o nosso, o Benfica andaria certamente pelo meio da tabela. Mas com essa escumalha todos sabemos que é sempre diferente. 
Se, como dizem e julgo ser um facto, nós temos um grupo de jogadores de alta categoria, pagos a peso de ouro, eu pergunto: de que serve esse proveito?
Li por aí que ao ladrão do apitadeiro desta noite, a quem alguém já tinha partido alguns dentes, lhe deveriam partir os restantes caso se portasse mal neste jogo, como portou. Eu não direi o mesmo mas advogarei, isso sim, que o partam a ele todo e o deixem de molho no corredor duma urgência hospitalar. Verdade, sem hipocrisia.
Portanto nada de novo, porque tudo segue numa torpe e repugnante normalidade e nem sequer  vale a pena estar desiludido.

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

IN MEMORIAM

Faz hoje nove anos que morreu o meu irmão mais novo. 
Foi um homem simples, trabalhador, um homem pobre, dedicado, são de consciência, cumpridor da lei, respeitador do seu semelhante, seguidor dos perenes valores com que foi educado. Resumindo, só posso afirmar que era um homem bom!
Tinha uma indefectível, profunda e mesmo irracional paixão pelo Benfica a qual, de certa forma, lhe causou a morte pois sucumbiu, ainda novo, após um jogo que tinha acabado de ver na televisão.
Desde pequeninos que, para além do sangue, fomos sempre amigos, sem uma névoa sequer que toldasse tal amizade, sem uma quezília, sem qualquer embirração ao longo de todos esses anos em que viveu. Passamos muita da nossa vida nesse, outrora, recanto do paraíso, a aldeia de Côrtes, banhada pelo Minho sem par. Deixou em mim uma cavada saudade que, amiúde, me alerta para o pensamento da minha também inevitável partida.
Escrevi, nessa altura, um soneto a evocar a sua memória e intentei colocá-lo em cima da sua campa, gravado perenemente em granítica pedra tumular. Para tal contactei várias casas da especialidade, porém, em todas elas me foi dito que, conforme o meu desejo, a lápide iria ter, forçosamente, dimensões pouco estéticas.
Por isso e em contrapartida, aqui estou a inseri-lo agora neste espaço onde, suponho e espero, poderá ser lido por muita mais gente; família, amigos e conhecidos.
Ei-lo então:


Não por irmão, mas mais por seres amigo
Que tinhas na alma aquela chama imensa 
De vã paixão e fé, de insana crença, 
É que eu gostava de falar contigo.

Mas eis que a Morte, pérfida e ruim, 
Brandindo a vil gadanha, despiedada,
Ceifou os passos da tua caminhada 
Que estava ainda longe do seu fim.

Não quero recordar-te aí caído
Mas como foste em vida, sempre erguido:
Enquanto viva, em mim ‘starás presente!

Embora rasos d’água os olhos meus
Por ti não choro nem te digo adeus
Pois não partiste, só foste á minha frente!

                                    Teu irmão TONE

                                              Arcos, 2002


Morreu, acabou! Dizem as gentes, mas eu recuso tal conceito:
Não acabou nada! Quem morre nunca acaba; viverá sempre no coração de todos aqueles que o amaram.

Domingo, 30 de Outubro de 2011

TEMPOS DE INCERTEZA

Tenho a mania, o vício, quiçá mesmo a pretensão de achar que sou um visionário, um adivinho, um bruxo, um profeta ou sei lá o quê. Então no que toca ao Benfica antevejo sempre o pior. Não sei se tudo isso é fruto da minha desesperança, de uma inveterada frustração ou de um desarrazoado pessimismo. Creio que sim, sobretudo por ter gozado o privilégio de ter assistido ao tempo de esplendor do meu Grande Clube e não me sentir contente nem conformado com a penumbra que o envolve agora.
Vejo o Benfica a ganhar em toda a linha, em todas as modalidades, mesmo no próprio futebol, mas tal não evita as decepções e os sobressaltos como os que aconteceram ontem no jogo com o Olhanense o que me faz interrogar, com legitimidade, como é que tal pode ser possível. Por princípio e precaução com a minha sanidade nunca vejo nenhum dos nossos jogos, até porque e segundo me dizem, quando porventura isso acontece, parece que levo comigo um certo azar, como ontem ia sucedendo: um amigo meu enviou-me uma mensagem a informar que o resultado já ia em 2-0. De pé atrás e preso do tal receio que fatalmente me invade nessas ocasiões, perguntei-lhe quanto tempo faltava ainda para o fim do jogo; tinha, na verdade, as minhas razões e a coisa esteve tremida e quase dava para o torto. E é isto que me incomoda, voltando  a inquirir: como é isto possível? Todos estes êxitos intermédios parecem não garantir a glória final, como seria de concluir. Embora andemos pelo melhor caminho, contudo, ao chegar perto da meta, ficamos muitas vezes para trás e morremos na praia, como soe dizer-se. É isto que me mortifica, mais ainda quando constato que o abominável grémio da corrupção e das falcatruas vai seguindo de vento em popa, descansado e sem percalços, por caminhos lisos e desimpedidos. Para eles tudo vale, com regras e situações que sempre os favorecem; para nós, pelo contrário, nem mesmo é sequer levada em conta qualquer dúvida. Veja-se como ainda ontem nos foi anulado um golo absolutamente limpo e que, certamente, acalmaria toda a ansiedade e afastaria todos os perigos. Porque não actuam da mesma forma na pocilga do Freixo? Por medo? Nada disso, porque tal corja está mancomunada com esses criminosos e rouba para lhes satisfazer os intentos. É por via destas e de outras que eu cultivo e mantenho todo este irracional e corrosivo cepticismo.
Aqui chegado, lembro-me ainda dos sardões verdes e lhes admiro a sua credulidade pois, por terem ganho meia dúzia de jogos, já andam cheios de catarro como a formiga e a enfunar o peito de balofa arrogância. Espero e desejo que parem perto!
Só tudo terá saído bem se tudo acabar bem!


Domingo, 16 de Outubro de 2011

REDACÇÃO DE UM PUTO DE ESCOLA

Os vampiros. Eu nunca vi nenhum vampiro. Dizem que são uns bicharocos negros e muito feios que voam de noite, em magotes. Que não têm ossos nem penas macias, mas nervuras ásperas. Que só bebem e gostam muito de sangue. Que têm uns dentes ocos e aguçados com que chupam o sangue das pessoas. Disse-me o meu amigo Tone da Reigada que já viu um. O Tone é um mentiroso porque está a dizer isso só para me assustar. Mas o meu pai, quando lho perguntei, encolheu os ombros e só me disse que os vampiros existem e  atacam tudo o que lhes cheire a sangue. Que começaram a aparecer há alguns anos, num certo dia de Abril. Eram muitos e mais vieram depois, engrossando o bando; tinham cada vez  mais sede e todo o sangue que havia já não ia chegando para os fartar e quanto menos sangue havia mais desaustinados iam ficando, ao ponto de perderem algum receio e começarem a sair do escuro da noite para se empanturrarem em plena luz do dia. Agora andam por todo o lado e atacam sem medo e ás claras.
Ah, se calhar é verdade e por isso é que eu vi tanta gente nas rua a berrar e então alembrei-me duma cantiguinha de vampiros que cantava que eles comiam tudo e não deixavam nada. Que sugavam o sangue e ficavam com os beiços muito focinhudos, como os dos aganões, todos lambuzados, tão gordos e inchados que até quase estoupavam. Mas logo lhes vinha a fome e então lá iam eles outra vez a voar de noite e até de dia á procura de mais sangue. E nunca se fartavam. 
O meu irmão mais velho, o Nelo, que já é casado, disse-me que já foi mordido por eles, que perdeu muito sangue e o fez ficar sem o dinheirinho das férias e do Natal. Que este ano não me ia dar a prenda do costume porque não podia, que nem aos meus primos, os filhos dele, lhas podia dar. Há dias ouvi minha mãe, danada, a barafustar que essa bicharada tinha andado por lá e a tinham cravado, que eram piores que os ladrões porque levavam tudo pela calada. Até o meu avô Bílio e a minha avó Quina, que mal vivem duma reforminha que recebem, me mostraram umas mordidas frescas que os malvados lhes tinham feito numa noite destas, tendo ficado sem algum do seu pouco sangue e também, por via disso, nem um rebuçadinho me iam poder dar neste Natal. A minha professora também me disse que tem sido muito mortificada pelos vampiros, que os sente á volta dela a quererem mordê-la e que, muitas vezes, nem a deixam sequer dormir. O meu tio Artur, que gosta muito de ir á bola, anda sempre a dizer que os viu lá pelos campos de futebol a chuchar as outras equipas e que no fim do jogo se vão embora tão gordos e inchados que até arrebentam. Por isso eu não sei se vou ter de acreditar mas, se tanta gente o diz, deve ser verdade. E começo a ficar também muito acagaçado.
Eu não gosto nada de vampiros!


Zèquinha